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Jan Antonín Bata – Batatuba Piracaia SP

Jan Antonín Bata – Batatuba Piracaia SP

Piracaienses, cuja vida são estimulo e exemplo, possuímos vários. Escrevo sobre um deles, que se tornou piracaiense de coração, pois era da Europa. Particularmente tenho para com ele uma grande admiração: Jan Antonin Bata. Nasceu na cidade de Zlim, na antiga Tchecoslováquia, onde era denominado “O Rei dos Calçados”; naquele país foi um grande industrial, seu pai e seu irmão Tomas eram os fundadores das Indústrias Bata e Jan foi seu continuador. Na segunda metade dos anos 30, Jan Antonin Bata começou a construir suas fábricas em cinco continentes.  Em seu país de origem, perseguido pelos seguidores de Adolf Hitler, exilou-se nos Estados Unidos, de onde veio para o Brasil em 1941, aqui estivera por mais de uma vez e na última adquirira algumas propriedades em Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. Vinha recomeçar a vida, pois o nazismo alemão e o capitalismo estadunidense, através do chamado “esforço de guerra” sonegavam-lhe o direito sagrado e incontestável de dirigir as suas próprias indústrias.

Batatuba

No estado de São Paulo a 80 quilômetros da capital, Jan Bata encontrou uma região que lhe pareceu apropriada para instalar a sede de todas as suas indústrias no mundo. Clima ameno, perto da então Estrada de Ferro Bragantina, com um rio (Cachoeira) com corredeiras, oferecendo possibilidades para o consumo e a instalação de uma pequena usina hidrelétrica para fornecer energia própria à futura cidade industrial Bata. Comprou todos os terrenos em redor, numa área suficiente para abrigar fábricas, hotéis, hospitais, estabelecimentos comerciais e casas para uma população inicial de 10.000 habitantes. E foi aí que o fundador de 20 cidades na Europa, deu inicio à construção da sua vigésima primeira cidade: Batatuba. No Brasil, fundou mais três cidades: Mariápolis (SP), Bataguassu (MS) e Batayporã (MS), que se tornaram prósperas e independentes. No local escolhido, em um vale à margem do rio, edificou a fábrica, o curtume de couro, os estabelecimentos de administração, escritório e depósitos. Na pequena colina à direita levantou a primeira centena de casas para operários, administradores, a escola, o hotel, o cinema, o clube recreativo esportivo, restaurante e uma pista de pouso para pequenos aviões. Mais além, numa parte mais elevada da colina construiu sua residência, que o bom gosto de sua esposa Marie Bata tornou um recanto agradável, circundado de eucaliptos e árvores decorativas: um pedaço de Zlin (cidade natal da família Bata) no Brasil (Infelizmente, hoje a casa encontra-se depredada e abandonada).

Empreendedorismo

Chegaram à futura cidade industrial Bata, 25 famílias oriundas de Zlin, especialistas nas diversas operações da manufatura de calçados. Naquele tempo, os moradores locais não tinham habilidades para atuarem nas indústrias de calçados, assim, surgiu a escola profissionalizante para ensinar disciplinas de trabalho na indústria com calçados. Paralelamente, ensinavam-se conhecimentos para se manterem saudáveis praticando esportes e viver com higiene física e mental. Com o correr dos tempos muitos se destacaram na sua carreira profissional, dando um rumo positivo a sua vida por esforço aprendido nesta escola. O esporte e o lazer também eram lembrados: Competições e campeonatos diversos, festas pelo dia do Trabalho, eram realizadas e participadas com empenho e entusiasmo por todos. Também foi construída uma escola de ensino básico, para os filhos das famílias tchecas e dos moradores e trabalhadores locais, além deles próprios estudarem. Na fábrica de Batatuba se produziam calçados de todos os tipos, haviam lojas em diversos estados do Brasil. Uma de suas especialidades eram as botinas de sola de pneu a qual foi criado para o trabalhador rural. Mais tarde fabricava botas para a indústria pesada e fornecia para grandes firmas como a Mercedes Bens, Petrobrás e inclusive para as Forças Armadas do Brasil. Além dos calçados, as indústrias em Batatuba possuíam um departamento de construção e manutenção, para as residências, maquinários, estradas e outros serviços do bairro. Possuía um curtume que produzia os couros para a produção de calçados e produzia graxas, cardaços, palmilhas, saltos de madeira para calçados femininos. Na parte da fazenda, além do gado de corte, a esposa de Jan Bata, a senhora Marie Bata desenvolveu a criação de gado leiteiro, o qual produzia leite e produtos hortifrutigranjeiros, todos voltados para o abastecimento da cidade que surgia.

Morte do homem, vida ao mito

Em 23 de agosto de 1965 faleceu Jan Antonin Bata! Seus operários, familiares e amigos, comovidos formaram as centenas, um corredor vivo na última despedida ao passar de seu féretro. Jan Bata, um homem visionário, que elaborou um plano de desenvolvimento para um bairro, cujo objetivo era tornar-se uma grande cidade industrial, mas por razões familiares, politicas ou de força maior, ou por razões que só o destino explica, a cidade sede das indústrias Bata não progrediu após a morte de seu idealizador. Homenageando esta personalidade de Piracaia, neste momento em que nossa querida cidade comemora mais um aniversário, seja sua historia de vida e de empreendedorismo, estimulo à nossa juventude, e sobremodo à nossas lideranças politicas e sociais, que busquem fazer o que de fato significa a “Política”: o bem comum das pessoas, e não a realização de projetos pessoais de cunho político, interesses pessoais ou similares. Que este artigo, recorde o que foi Jan Bata e para tanto significa o nome tupi-guarani do bairro, cujo sonho foi idealizado: Batatuba: Bata (Jan Antonin Bata), Tuba (Pai).